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Nossas visões sobre empreendedorismo e inovação no Brasil

O futuro das aceleradoras (Parte 4/5): especialização setorial

Em primeiro lugar, feliz ano novo! Vou começar 2017 terminando uma pendência de 2016: finalizar a série de posts sobre tendências do mercado de aceleradoras.

Nos últimos dois posts falei sobre duas das quatro tendências que estão mudando o mercado de aceleradoras no Brasil: venture building e veículos para investimento anjo. Dessa vez vou falar de uma das minhas favoritas, a especialização setorial.

A partir da experiência na WOW ficou claro: é impossível ajudar todo mundo. Foco é fundamental para empreendedores mas aprendi que para as aceleradoras também. Na WOW, sempre fomos abertos a receber ideias de quaisquer setores e modelos de negócio, até porque estávamos experimentando o modelo. Mas ficou claro com o tempo que conseguíamos ajudar mais certos tipos de empresas. E isso, em grande parte, vinha da especialização da equipe de mentores, um dos principais ativos de qualquer programa de aceleração.

É praticamente impossível uma aceleradora conseguir atrair mentores de qualidade com perfis tão variados para conseguir ajudar todo e qualquer tipo de empresa da mesma forma. Na WOW, ficou claro que startups B2B com foco corporativo e empresas de hardware tinham vantagem. Tínhamos no nosso grupo de mentores vários pioneiros de hardware e de telecom no Brasil e diversos empresários e profissionais experientes em software corporativo. Por várias questões, a WOW decidiu não focar em um setor, mas isso sempre é levado em consideração na hora do escolher os empreendedores.

Depois de ver esta tendência na WOW, comecei a observar exemplos de fora do Brasil. No EUA, onde existem mais de 200 aceleradoras, ou seja, um mercado mais maduro, fica claro que a especialização, seja vertical (saúde, educação, etc.) ou horizontal (hardware, software corporativo, etc.) é um caminho interessante. Temos cases muito claros de sucesso. Abaixo cito alguns:

Foto do escritório da aceleradora Hax em Shenzhen na China

Hax (Shenzhen, China): focada em startups de hardware, que leva os empreendedores até Shenzhen, na China, onde estão os principais fornecedores do mundo. Trabalham fortemente com prototipagem e como tirar do papel lotes pilotos.

Rock Health (São Francisco, EUA): foi uma das primeiras aceleradoras especializadas do mundo com foco em saúde. Atualmente estão atuando na fase de investimentos semente (seed). A HealthBox, de Chicago, é uma concorrente que vem crescendo forte.

Imagine K-12 (Vale do Silício, EUA): aceleradora que foca em startups de educação, recentemente fundida com a Y Combinator, que possui uma rede especializada de mentores e escolas dispostas a testar as soluções.

Food-X (Nova York, EUA): aceleradora focada no setor de alimentação, em conexão forte com a indústria.

No Brasil, esse movimento ainda é tímido. Temos dois casos: a Berrini Ventures focada em startups da área da saúde (eles também tem elementos de venture building) e a Oxigênio, aceleradora focada em fintechs. A Oxigênio, financiada pela Porto Seguro, também passa pela quarta tendência do mercado de aceleradoras, que é o crescimento de corporate ventures, que são investimentos em negócios inovadores partindo de empresas estabelecidas.

Acredito que vamos ver nos próximos anos mais especialização e foco nos programas de aceleração no Brasil e no mundo. Isso facilita a atração de mentores especializados, montagem da rede de investidores e de possíveis clientes e compradores das empresas. Além disso, atrai empreendedores de alto potencial do setor escolhido, pois terão a oportunidade de participar de um programa menos genérico. E o apetite crescente de grandes empresas entrando no mundo de financiamento de inovação early-stage também só reforça essa especialização.

Mas essa é a última tendência, tema do próximo post, e possivelmente aquela que se tornou mais evidente em 2016.

Bruno Peroni é sócio da Semente.

Startups na crise: como se comportam?

Segue abaixo entrevista com o sócio da Semente Bruno Peroni publicada pelo portal Startse em 10 de agosto:

O mercado de startups vai bem, mesmo com os últimos meses turbulentos que o Brasil. Mas podia estar melhor, claro, se não fosse a confusão política e econômica que temos vividos nos últimos anos.

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Superestruturas que incomodam

Muitas vezes já falei, inclusive nesta coluna, sobre a importância do capital social na dinamização de ecossistemas de inovação, sejam eles territoriais ou setoriais. Em outras palavras, para que a inovação possa surgir nesses contextos, a interação entre pessoas e organizações precisa ser fluida e intensa. Vivi um pouco desse processo em Porto Alegre, meia dúzia de anos atrás, quando participei de um movimento que serviu de pontapé inicial para uma nova cultura de empreendedorismo por meio de startups.

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Revolução iminente no capital de risco

Empreendedores de caráter fortemente inovador enfrentam hoje muita dificuldade para captar investimentos no Brasil.Em um primeiro momento, podem buscar investidores-anjo que frequentemente ficam com uma participação muito grande no negócio, de forma a inviabilizar as próximas rodadas de investimento. Não podemos culpar unicamente os anjos por isso, visto que o dinheiro no Brasil é, de fato, caro.

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