Blog da Semente

Nossas visões sobre empreendedorismo e inovação no Brasil

CASE: StartupRS – Sebrae RS

O StartupRS é o maior programa de pré-aceleração de startups digitais do Rio Grande do Sul, focados em projetos de alto potencial de crescimento que estão prestes a se tornarem negócios reais.

A Semente é responsável pelo desenho do programa em conjunto com o Sebrae RS, atuando também na execução das capacitações. Além disso, são realizadas todas as consultorias de acompanhamento seguindo a metodologia própria da Semente de desenvolvimento de negócios inovadores, o Caminho Empreendedor.

O PROJETO

Neste programa, os empreendedores passam por mentoria, capacitação e acesso ao ecossistema de empreendedorismo do Rio Grande do Sul. Com o objetivo de validar cada projeto, primeiramente é realizado um diagnóstico da empresa e, então, são desenhadas as consultorias individuais focadas no desafio atual do negócio. Durante o período da capacitação também são ministrados workshops sobre modelagem de negócios, testes de mercado, marketing e vendas, investimento de risco entre outros.

Os empreendedores também contam com ações para fomentar o ecossistema empreendedor através da troca de experiências e networking com outras startups, e webinars com negócios mais maduros que já passaram por desafios similares aos dos participantes do programa. Ao final do programa, os negócios que mais evoluíram são selecionados para apresentação das soluções para investidores, mentores, empreendedores e demais atores do ecossistema, sendo escolhido por uma banca avaliadora os 3 negócios destaques do StartupRS.

Além do StartupRS, os empreendedores também podem contar com o StartupRS Scale para startups digitais que estão em fase de crescimento, ou seja, já validaram o modelo de negócio, já estão vendendo, mas precisam começar a escalar de forma mais exponencial. Em 2017, a Semente Negócios também participou do StartupRS Health,  programa para validação de modelo de negócio e início de operação, focado em soluções para a saúde.
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startup day do startupRS


RESULTADOS DO STARTUPRS

O StartupRS hoje está entrando na sétima turma e já impactou 102 negócios,  com vários tendo recebido investimento.
A cada ano, a Semente e o Sebrae buscam uma maior interação com o ecossistema empreendedor. Em 2015, por exemplo, os negócios destaques de cada edição receberam uma viagem pro Vale do Silício. 

Alguns depoimentos dos empreendedores participantes:

“Foi fundamental para o Sou Mãe ter participado de todo o processo do StartupRS, e a Semente foi parte vital de todo o processo. As reuniões de consultoria sempre foram muito produtivas, e mesmo nas semanas que achávamos que tinhamos produzido pouco, tinha sido produzido muito. Todas as ideias foram muito aproveitadas e agora estamos trabalhando duro para colocar tudo em prática.” Rafael Cirolini, da startup Sou Mãe.

“O programa StartupRS 2015 foi um divisor de águas para o nosso empreendimento. Tanto os profissionais do SEBRAE, quanto os mentores escolhidos, foram fundamentais para que nossa empresa alcançasse um novo direcionamento estratégico e pudesse buscar metas ainda mais ambiciosas.” Pietro Rocha, da startup Tribo Viva.

“O programa me ajudou a ter foco no que realmente era necessário. E estar participando do programa StartupRS abriu muitas portas, no nosso caso, a ida para o Fórum da Cidadania Financeira não teria acontecido, se eu não estivesse no programa para saber e receber a mentoria da Semente.” Lucas Montano, da startup Planejei.

“O StartupRS foi um ótimo ambiente para desenvolver um networking qualificado, que nos ajudou a estruturar o nosso crescimento de maneira mais sólida. Papel fundamental no inicio de uma Startup.” Marcos Berghahn, da startup Shoptutor.

“Como eu sempre venho falando, acho incrível o movimento do Sebrae de atualização das suas metodologias e o programa do StartupRS é uma bela demonstração dessa atualização. O processo nos ajudou na evolução de algumas partes da Makadu, amadurecimento dos sócios e rede de contatos. De longe o que mais ajudou foram as mentorias individuais.” Eros Carrasco, da startup Makadu.

Ficou interessado e quer participar? A sétima turma do Startup RS está com inscrições abertashttp://bit.ly/startupRSturma7
Participe da seleção e entre de cabeça no ecossistema empreendedor!

Quer saber mais sobre os nossos programas? Entre em contato com um dos nossos consultores.

Como se preparar para programas de aceleração e mentoria

Vejo muitos empreendedores digitais buscando programas de aceleração e mentoria envolvendo investimento de risco e/ou consultoria, e não entendendo muito bem o que seria o perfil mais adequado de negócio para ser aprovado nesses programas. Pois bem, vou falar um pouco aqui sobre os principais critérios de seleção para quem busca esse tipo de processo de desenvolvimento. Principalmente para startups early-stage, ou seja, aquelas que ainda estão em processo de validação de produto. Partimos de três palavras simples: time, mercado e inovação.

Não é o seu caso e você busca por aceleração? Saiba mais sobre o mundo (e o futuro) das aceleradoras nessa série de artigos escrita pelo sócio-fundador da Semente, Bruno Peroni.

Há anos mentoro startups ainda em processo de validação, por isso posso dizer que o time é um dos maiores desafios, apesar de os outros critérios serem igualmente importantes. Nesse primeiro tópico vamos, então, responder a seguinte questão:

Por que o time é tão importante nesse estágio inicial do negócio?

  • TIME

Vamos ao cenário mais comum dos estágios iniciais: você ainda está desenvolvendo e testando um protótipo, quer dizer que você ainda não tem certeza de ter o produto certo para o mercado certo (famoso product-market-fit). Além disso, você não tem muitos clientes (talvez nenhum), não tem colaboradores trabalhando (normalmente apenas os sócios-fundadores) e não tem muitos ativos… Ou seja, nesse momento a avaliação que podemos fazer é que você tem 100% de nada!

Desesperador? Calma!

Por essa perspectiva, quem está avaliando o negócio olha muito mais para o “você” do que para o “100% de nada”, porque a chance de sucesso desse negócio é que o “você” transforme o “100% de nada” em alguma coisa – e sob a perspectiva de uma aceleradora, isso deve acontecer logo.

Em relação ao time, ouço muito o tripé “hustler, hipster e hacker”, que é basicamente um jeito cool de colocar os perfis da equipe de fundadores. É mais simples começarmos pelo Hacker – alguma dúvida de quem pode ser? Se você pensou no cara da tecnologia, obviamente você acertou! O hacker é a pessoa que entende da tecnologia do produto, é o que pega o que foi ou está sendo desenhado e transforma aquilo no produto.

O Hipster é justamente aquele que mais contribui para o desenho do produto, ou melhor, ele identifica junto aos potenciais clientes quais são suas necessidades, enxerga tendências e coloca no papel o produto que deve ser desenvolvido.

Finalmente, mas não menos importante, o Hustler. Essa é a pessoa mais voltada ao mercado, vendas, gestão. É a pessoa que pega tudo aquilo que está sendo criado, e entrega ao mercado.

Resumindo: qualquer startup digital precisará de alguém muito bom para desenvolver a tecnologia, outro que entenda profundamente o mercado e suas tendências, e outro para organizar, comunicar e vender.

Entretanto, os perfis não são tudo… Algumas competências são altamente valorizadas, como o coachability, que nada mais é do que a facilidades que a pessoa tem em ouvir e aprender… em outras palavras, não ser cabeça-dura! Além da capacidade de liderar, da mentalidade inovadora, e ser fazedor e corajoso.

Saiba mais: Três características dos inovadores 

  • MERCADO

Quando falamos de mercado, pensamos principalmente nos concorrentes e no público-alvo. O mercado que você está entrando é um mercado que está crescendo, ele está estável ou está diminuindo?

Startups que estão em mercados com pleno crescimento, aquelas que estão surfando a onda, tem certamente mais vantagens do que outras que estão em mercados estagnados. Porém, é importante atentar para a concorrência dos mercados em crescimento, pois outros empreendedores também têm acesso à informação, e buscam aquilo que é tendência.

Exemplos atuais no Brasil são fintechs, inteligência artificial, soluções para varejo, cybersecurity, e por aí vai. Sucesso têm aqueles que estão em mercados crescentes com o time certo (aqui subentende-se o produto adequado também) e as conexões necessárias.

Entretanto, há alguns mercados que ainda nem apresentam crescimento, ainda não são vistos como tendência, mas possuem uma oportunidade gigante de crescimento. Como os chamados locked markets, caso das lawtehcs aqui no Brasil. O grande desafio desses mercados é que são apostas de maior risco, já que normalmente são mercados ainda mais tradicionais, onde existem poucos players testando inovação.

  • INOVAÇÃO

Pensou que não íamos falar sobre o produto? É claro que o produto que você está desenvolvendo também é importante na avaliação de aceleradoras e processos de mentoria em geral.

Quando penso em produto inovador, normalmente recorro primeiro à relevância do problema que ele busca resolver. Lembrando que qualquer inovação deve resolver um problema real e relevante, senão é apenas criatividade.

Se o produto resolve um problema real, é importante analisar se ele possui uma inovação incremental que efetivamente o diferencia dos demais concorrentes, ou até mesmo uma inovação disruptiva, palavra mal compreendida por muitos negócios.

Chegam à Semente diversas propostas de produtos “inovadores” muito similares a outros já existentes no mercado, possuindo “diferenciais” muito pouco relevantes, como algumas funcionalidades que os usuários na verdade nem precisam… Aí não tem nada de inovador, não é mesmo?

A exploração do problema que se está buscando resolver junto a pessoas que realmente sofrem com o problema, e loops de feedback durante os testes de MVP do produto para identificar oportunidades de melhoria e diferenciação são fundamentais para inovação. E é justamente isso o que o Caminho Empreendedor, metodologia desenvolvida pela Semente, recomenda aos empreendedores.

Conclusão: Startups que ainda estão validando seu produto precisam ter em mente que na hora de buscar um programa de desenvolvimento ou aceleração é preciso ter ao menos a ideia de time-mercado-inovação na cabeça. Aí você vem aqui na Semente e a gente segue o caminho juntos, o que acha? 😉

César Costa é coordenador de programas para Negócios Inovadores e Startups da Semente.

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Estou confuso, o que é um Negócio de Impacto Social?

Eu não gosto muito de suspense. Decidi começar pelo fim: eu não sei o que é um Negócio de Impacto Social. Mas quer saber? Acho que ninguém sabe…

Oi, eu sou o Juliano Trevizan e estou verdadeiramente honrado que você esteja dedicando seu precioso tempo para ler o que escrevi. E espero que daqui a 5 minutos você esteja tão confus@ quanto eu.

Venho trabalhando há alguns anos com empreendedorismo, mais especificamente na “rubrica” impacto social. Já acompanhei individualmente algumas centenas de pessoas e empreendimentos, e atualmente atuo em dois programas que apoiam 130 negócios de maneira intensiva. Eu sei, é bastante. Minha caixa de emails também sabe.

Pra começar, quero avisar que minhas palavras não são técnicas. Se você quer uma leitura assim recomendo a dissertação do meu sócio Marcio Jappe, Google it 🙂

Mas enfim, o que é mesmo um negócio de impacto social?

Importante falar que esse conceito surgiu a partir de outro conceito, o de negócios sociais, criado pela lenda viva Muhammad Yunus. Um negócio social tem uma definição clara, proposta pelo Yunus, em que um ponto chave é que o negócio deve reinvestir 100% do lucro na própria empresa. O que aconteceu foi que o mundo ocidental gostou dessa pegada social e adaptou o conceito, inserindo o “impacto” e dando, nessa nova concepção, a liberdade aos empreendedores para fazerem o que bem entenderem com o lucro do negócio.

Tendo isso posto, vamos por partes, como diria o Jack.

Na escola eu tive um professor de história que sempre dizia que palavras compostas são autoexplicativas. Ele falava: “Um meio de produção é um MEIO – DE – PRODUÇÃO. Um modo de produção é um MODO – DE – PRODUÇÃO”. Assim fica fácil né?

A base da definição tá na cara. São NEGÓCIOS (na verdade, pessoas) que escolhem focar seus esforços em gerar um IMPACTO para a SOCIEDADE. Agora que impacto é esse? E que sociedade é essa?

Aí que tá. É tão difícil definir esse conceito porque existem muitas variáveis subjetivas, como por exemplo, o que é um impacto “positivo”. É aquela coisa, cada um tem sua opinião e argumentação, e quando se trata de definir o que é “bom” as divergências vêm à tona.

Para exemplificar esse dilema trago alguns exemplos: a Meu Copo Eco produz copos reutilizáveis, em substituição aos copos descartáveis. Eles calculam já ter evitado o desperdício de mais de 1 bilhão de copos descartáveis. No entanto, a empresa não deixa de ser uma fábrica de copos. Aqui temos uma boa discussão, não acha?

Agora temos uma empresa que trabalha com agricultura. Ela quer tornar esse mercado mais eficiente, produzindo alimentos mais resistentes às intempéries, assim o agricultor será beneficiado e teremos mais comida a menor preço. Será a Monsanto um negócio de impacto social?

Vamos por outro caminho: digamos que eu encontro uma cidade com alto nível de pessoas sem ocupação. Então eu decido criar uma fábrica, e gero um alto nível de empregabilidade. Serão as montadoras negócios de impacto?

Viu como é subjetivo? Sempre vão existir argumentos mostrando ser “positivo” ou “negativo”. Há quem chame isso de luz e sombra, e o que quero dizer é que a questão não é essa. Eu mesmo falo muito em “impacto positivo”, mas sei que esse é um discurso falido. E como fazemos para definir o que é um negócio de impacto social?

Depois de analisar o “impacto”, precisamos entender o “social”. Para quem nosso esforço é direcionado? Aqui partimos da premissa que vivemos em um país (e um mundo) com desigualdade social, portanto existem negócios que irão estreitar essa lacuna de desigualdade e outros que irão alargá-la.

Por exemplo: um negócio de educação que prepara estudantes para o vestibular em alto nível, cobrando um valor hora de R$ 100,00. Ele deixa seus clientes muito felizes, pois têm uma alta taxa de aprovação e eles vão viver seus sonhos. Isso é impacto certo, permitir que as pessoas vivam seus sonhos? Mas e quem não pode pagar pelas aulas? Essa lacuna social não vai ficar ainda maior?

Agora, digamos que eu tente estreitar a lacuna, criando uma companhia aérea com baixíssimos custos. Isso permitirá que mais pessoas viajem, revejam suas famílias, criem novas possibilidades. No entanto, para essa empresa funcionar ela precisa de altíssimos volumes de passageiros, o que acaba inflando os aeroportos e potencialmente prejudicando passageiros de outras companhias aéreas. E aí, é bom para a sociedade?

Definir o que é ou não impacto social é subjetivo e não há um conceito globalmente aceito. Academicamente isso se chama “conceito em disputa”. Assim, cada instituição que quer trabalhar com esse “tema” cria sua própria regra. Para alguns, precisa focar nas classes CDE (base da pirâmide). Para outros, tem que ser escalável (crescer muito rápido com custos não proporcionais). Tem quem defenda que ONGs também são negócios de impacto. Mais recentemente o que anda em pauta são as ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis), propostas pela ONU, que ajudam a entender que “melhorias” o mundo mais precisa.

Tudo isso ajuda, direciona, mas não resolve a questão. O que é um negócio de impacto social?

Esse debate é importante para, primeiro, entendermos o óbvio: TODA EMPRESA gera impacto social. A diferença não está na geração do impacto, mas no QUERER gerar um impacto específico, tendo isso como PRIORIDADE através de sua ATIVIDADE PRINCIPAL (seu produto).

Empreendedores de negócios de impacto social entendem de maneira integral o movimento que sua entrada gera na sociedade, realizando, de maneira estruturada ou não, uma teoria de mudança e uma posterior avaliação de impacto. É preciso entender que não basta analisar o que fazemos, mas também as potenciais consequências das nossas ações. Olhar não só para o final do processo, mas para o processo em si. Empresas como a Mercur estão nos ajudando a entender como inclusive empresas centenárias podem se reinventar e serem negócios de impacto social porque QUEREM ser. Antes tarde do que mais tarde.

Vamos deixar claro: ser um negócio de impacto não é apenas resolver um problema/necessidade socioambiental, mas escolher tratar o “impacto social” como um ponto central e estratégico do negócio, como orientador da tomada de decisão. É preciso avaliar algo prático, que é reflexo de um processo pessoal e interno. E enquanto negócio, buscar enxergar tanto o processo quanto o resultado, e avaliar periodicamente as implicações de sua existência na sociedade como um todo (mais difícil do que só ganhar dinheiro, né?).

Mas sabe do que? O mais incrível é que grande parte d@s empreendedoras(es) de impacto nem se reconhecem como tal. Eu acho isso o máximo! Essas pessoas estão resolvendo os problemas e necessidades que existem por aí, sem previamente se encaixar em algum conceito… Apegue-se às necessidades, não às ideias.

O importante aqui é saber que um(a) empreendedor(a) de impacto social precisa ter um conhecimento, duas habilidades e uma atitude:

  1. C) conhecimento de CAUSA (empatia através da imersão),
  2. H) um alto nível de EXECUÇÃO (fazer fazer fazer),
  3. H) a capacidade de se QUESTIONAR constantemente (avaliar suas decisões e seu impacto),
  4. A) a atitude de nunca perder de vista seu PROPÓSITO (e ressignificá-lo diariamente).

Lembre-se: FEITO > perfeito e POR QUÊ > o quê.

A intuição decide, a mente planeja, as emoções motivam e o corpo faz.

Se você quer criar um negócio ou transformar sua empresa em um negócio de impacto social, tenho uma dica: estruture bem sua teoria de mudança, entenda quais são suas métricas de impacto e vá coletando evidências do trabalho realizado. Ocupe-se então em resolver os problemas e necessidades do seu público, e o impacto ficará evidente.

Se você, assim como eu, ainda não sabe o que é um negócio de impacto social, mas escolhe ser a mudança que (você acha) que o mundo precisa, eu estou aqui para te ajudar! Lembre-se, você não precisa criar a mudança, você é a mudança.

Se esse texto te tocou, incomodou, te fez rir ou chorar, comenta aí! Quem sabe não surge aqui mais uma história?

Juliano Trevizan é sócio e consultor da Semente.

Três características dos inovadores

Como agem as pessoas que transformam a sociedade?

Há cerca de sete anos me dedico a ajudar empreendedores que, além de criarem novas organizações, o fazem com o objetivo de romper com o status quo. Tomei essa como uma missão de vida por observar que esses desobedientes são maltratados. Estou falando de gente com um tipo de rebeldia que tem fundamento e ferramenta, que é usar mecanismos de mercado (a oferta de produtos e serviços) para desencadear transformações sociais.

Essa é uma arte que, a cada 10 que tentam, menos de um, em média, consegue desempenhar. Os outros nove e alguma coisa sofrem duras consequências por falharem. Uma parte importante do meu trabalho é identificar padrões a respeito dos que rompem a barreira da inovação e, de fato, interferem em algum sistema complexo. Trabalhei com gente que balançou velhas estruturas na educação, na agricultura, no sistema financeiro.

E, no fim do dia, há três coisas que essas pessoas têm de diferente de todo mundo.

A primeira é presença. Assim como eu sei exatamente o tipo de gente que quero ajudar, eles também sabem. E estão realmente presentes nas vidas dessas pessoas, fazendo parte do dia a dia, dialogando, entendendo as dores, angústias e recompensas.

A segunda é perspectiva. Inovadores sabem quais são os pontos nevrálgicos nos quais eles querem interferir dentro de um enorme emaranhado de possibilidades. E sabem expressar com clareza o que está errado naquele mundo onde atuam, e porque está errado.

E a terceira é disciplina. Quem inova sabe admitir quando aquela hipótese que acreditara ser uma verdade absoluta se provou errada. Sabe como fazer para checar, no mundo real, cada crença sua. E trabalha duro para fazer essa checagem, com persistência no objetivo maior, mas sem insistir em erros. No meio do caminho, vai conhecendo aliados que se tornam clientes, parceiros, investidores. É assim mesmo que funciona.

Igor Oliveira é sócio-fundador da Semente.

Publicado originalmente no jornal Zero Hora, dia 08 de setembro de 2017.

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