Blog da Semente

Nossas visões sobre empreendedorismo e inovação no Brasil

Como se preparar para programas de aceleração e mentoria

Vejo muitos empreendedores digitais buscando programas de aceleração e mentoria envolvendo investimento de risco e/ou consultoria, e não entendendo muito bem o que seria o perfil mais adequado de negócio para ser aprovado nesses programas. Pois bem, vou falar um pouco aqui sobre os principais critérios de seleção para quem busca esse tipo de processo de desenvolvimento. Principalmente para startups early-stage, ou seja, aquelas que ainda estão em processo de validação de produto. Partimos de três palavras simples: time, mercado e inovação.

Não é o seu caso e você busca por aceleração? Saiba mais sobre o mundo (e o futuro) das aceleradoras nessa série de artigos escrita pelo sócio-fundador da Semente, Bruno Peroni.

Há anos mentoro startups ainda em processo de validação, por isso posso dizer que o time é um dos maiores desafios, apesar de os outros critérios serem igualmente importantes. Nesse primeiro tópico vamos, então, responder a seguinte questão:

Por que o time é tão importante nesse estágio inicial do negócio?

  • TIME

Vamos ao cenário mais comum dos estágios iniciais: você ainda está desenvolvendo e testando um protótipo, quer dizer que você ainda não tem certeza de ter o produto certo para o mercado certo (famoso product-market-fit). Além disso, você não tem muitos clientes (talvez nenhum), não tem colaboradores trabalhando (normalmente apenas os sócios-fundadores) e não tem muitos ativos… Ou seja, nesse momento a avaliação que podemos fazer é que você tem 100% de nada!

Desesperador? Calma!

Por essa perspectiva, quem está avaliando o negócio olha muito mais para o “você” do que para o “100% de nada”, porque a chance de sucesso desse negócio é que o “você” transforme o “100% de nada” em alguma coisa – e sob a perspectiva de uma aceleradora, isso deve acontecer logo.

Em relação ao time, ouço muito o tripé “hustler, hipster e hacker”, que é basicamente um jeito cool de colocar os perfis da equipe de fundadores. É mais simples começarmos pelo Hacker – alguma dúvida de quem pode ser? Se você pensou no cara da tecnologia, obviamente você acertou! O hacker é a pessoa que entende da tecnologia do produto, é o que pega o que foi ou está sendo desenhado e transforma aquilo no produto.

O Hipster é justamente aquele que mais contribui para o desenho do produto, ou melhor, ele identifica junto aos potenciais clientes quais são suas necessidades, enxerga tendências e coloca no papel o produto que deve ser desenvolvido.

Finalmente, mas não menos importante, o Hustler. Essa é a pessoa mais voltada ao mercado, vendas, gestão. É a pessoa que pega tudo aquilo que está sendo criado, e entrega ao mercado.

Resumindo: qualquer startup digital precisará de alguém muito bom para desenvolver a tecnologia, outro que entenda profundamente o mercado e suas tendências, e outro para organizar, comunicar e vender.

Entretanto, os perfis não são tudo… Algumas competências são altamente valorizadas, como o coachability, que nada mais é do que a facilidades que a pessoa tem em ouvir e aprender… em outras palavras, não ser cabeça-dura! Além da capacidade de liderar, da mentalidade inovadora, e ser fazedor e corajoso.

Saiba mais: Três características dos inovadores 

  • MERCADO

Quando falamos de mercado, pensamos principalmente nos concorrentes e no público-alvo. O mercado que você está entrando é um mercado que está crescendo, ele está estável ou está diminuindo?

Startups que estão em mercados com pleno crescimento, aquelas que estão surfando a onda, tem certamente mais vantagens do que outras que estão em mercados estagnados. Porém, é importante atentar para a concorrência dos mercados em crescimento, pois outros empreendedores também têm acesso à informação, e buscam aquilo que é tendência.

Exemplos atuais no Brasil são fintechs, inteligência artificial, soluções para varejo, cybersecurity, e por aí vai. Sucesso têm aqueles que estão em mercados crescentes com o time certo (aqui subentende-se o produto adequado também) e as conexões necessárias.

Entretanto, há alguns mercados que ainda nem apresentam crescimento, ainda não são vistos como tendência, mas possuem uma oportunidade gigante de crescimento. Como os chamados locked markets, caso das lawtehcs aqui no Brasil. O grande desafio desses mercados é que são apostas de maior risco, já que normalmente são mercados ainda mais tradicionais, onde existem poucos players testando inovação.

  • INOVAÇÃO

Pensou que não íamos falar sobre o produto? É claro que o produto que você está desenvolvendo também é importante na avaliação de aceleradoras e processos de mentoria em geral.

Quando penso em produto inovador, normalmente recorro primeiro à relevância do problema que ele busca resolver. Lembrando que qualquer inovação deve resolver um problema real e relevante, senão é apenas criatividade.

Se o produto resolve um problema real, é importante analisar se ele possui uma inovação incremental que efetivamente o diferencia dos demais concorrentes, ou até mesmo uma inovação disruptiva, palavra mal compreendida por muitos negócios.

Chegam à Semente diversas propostas de produtos “inovadores” muito similares a outros já existentes no mercado, possuindo “diferenciais” muito pouco relevantes, como algumas funcionalidades que os usuários na verdade nem precisam… Aí não tem nada de inovador, não é mesmo?

A exploração do problema que se está buscando resolver junto a pessoas que realmente sofrem com o problema, e loops de feedback durante os testes de MVP do produto para identificar oportunidades de melhoria e diferenciação são fundamentais para inovação. E é justamente isso o que o Caminho Empreendedor, metodologia desenvolvida pela Semente, recomenda aos empreendedores.

Conclusão: Startups que ainda estão validando seu produto precisam ter em mente que na hora de buscar um programa de desenvolvimento ou aceleração é preciso ter ao menos a ideia de time-mercado-inovação na cabeça. Aí você vem aqui na Semente e a gente segue o caminho juntos, o que acha? 😉

César Costa é coordenador de programas para Negócios Inovadores e Startups da Semente.

Quer saber mais sobre os nossos programas? Entre em contato com um dos nossos consultores.

Estou confuso, o que é um Negócio de Impacto Social?

Eu não gosto muito de suspense. Decidi começar pelo fim: eu não sei o que é um Negócio de Impacto Social. Mas quer saber? Acho que ninguém sabe…

Oi, eu sou o Juliano Trevizan e estou verdadeiramente honrado que você esteja dedicando seu precioso tempo para ler o que escrevi. E espero que daqui a 5 minutos você esteja tão confus@ quanto eu.

Venho trabalhando há alguns anos com empreendedorismo, mais especificamente na “rubrica” impacto social. Já acompanhei individualmente algumas centenas de pessoas e empreendimentos, e atualmente atuo em dois programas que apoiam 130 negócios de maneira intensiva. Eu sei, é bastante. Minha caixa de emails também sabe.

Pra começar, quero avisar que minhas palavras não são técnicas. Se você quer uma leitura assim recomendo a dissertação do meu sócio Marcio Jappe, Google it 🙂

Mas enfim, o que é mesmo um negócio de impacto social?

Importante falar que esse conceito surgiu a partir de outro conceito, o de negócios sociais, criado pela lenda viva Muhammad Yunus. Um negócio social tem uma definição clara, proposta pelo Yunus, em que um ponto chave é que o negócio deve reinvestir 100% do lucro na própria empresa. O que aconteceu foi que o mundo ocidental gostou dessa pegada social e adaptou o conceito, inserindo o “impacto” e dando, nessa nova concepção, a liberdade aos empreendedores para fazerem o que bem entenderem com o lucro do negócio.

Tendo isso posto, vamos por partes, como diria o Jack.

Na escola eu tive um professor de história que sempre dizia que palavras compostas são autoexplicativas. Ele falava: “Um meio de produção é um MEIO – DE – PRODUÇÃO. Um modo de produção é um MODO – DE – PRODUÇÃO”. Assim fica fácil né?

A base da definição tá na cara. São NEGÓCIOS (na verdade, pessoas) que escolhem focar seus esforços em gerar um IMPACTO para a SOCIEDADE. Agora que impacto é esse? E que sociedade é essa?

Aí que tá. É tão difícil definir esse conceito porque existem muitas variáveis subjetivas, como por exemplo, o que é um impacto “positivo”. É aquela coisa, cada um tem sua opinião e argumentação, e quando se trata de definir o que é “bom” as divergências vêm à tona.

Para exemplificar esse dilema trago alguns exemplos: a Meu Copo Eco produz copos reutilizáveis, em substituição aos copos descartáveis. Eles calculam já ter evitado o desperdício de mais de 1 bilhão de copos descartáveis. No entanto, a empresa não deixa de ser uma fábrica de copos. Aqui temos uma boa discussão, não acha?

Agora temos uma empresa que trabalha com agricultura. Ela quer tornar esse mercado mais eficiente, produzindo alimentos mais resistentes às intempéries, assim o agricultor será beneficiado e teremos mais comida a menor preço. Será a Monsanto um negócio de impacto social?

Vamos por outro caminho: digamos que eu encontro uma cidade com alto nível de pessoas sem ocupação. Então eu decido criar uma fábrica, e gero um alto nível de empregabilidade. Serão as montadoras negócios de impacto?

Viu como é subjetivo? Sempre vão existir argumentos mostrando ser “positivo” ou “negativo”. Há quem chame isso de luz e sombra, e o que quero dizer é que a questão não é essa. Eu mesmo falo muito em “impacto positivo”, mas sei que esse é um discurso falido. E como fazemos para definir o que é um negócio de impacto social?

Depois de analisar o “impacto”, precisamos entender o “social”. Para quem nosso esforço é direcionado? Aqui partimos da premissa que vivemos em um país (e um mundo) com desigualdade social, portanto existem negócios que irão estreitar essa lacuna de desigualdade e outros que irão alargá-la.

Por exemplo: um negócio de educação que prepara estudantes para o vestibular em alto nível, cobrando um valor hora de R$ 100,00. Ele deixa seus clientes muito felizes, pois têm uma alta taxa de aprovação e eles vão viver seus sonhos. Isso é impacto certo, permitir que as pessoas vivam seus sonhos? Mas e quem não pode pagar pelas aulas? Essa lacuna social não vai ficar ainda maior?

Agora, digamos que eu tente estreitar a lacuna, criando uma companhia aérea com baixíssimos custos. Isso permitirá que mais pessoas viajem, revejam suas famílias, criem novas possibilidades. No entanto, para essa empresa funcionar ela precisa de altíssimos volumes de passageiros, o que acaba inflando os aeroportos e potencialmente prejudicando passageiros de outras companhias aéreas. E aí, é bom para a sociedade?

Definir o que é ou não impacto social é subjetivo e não há um conceito globalmente aceito. Academicamente isso se chama “conceito em disputa”. Assim, cada instituição que quer trabalhar com esse “tema” cria sua própria regra. Para alguns, precisa focar nas classes CDE (base da pirâmide). Para outros, tem que ser escalável (crescer muito rápido com custos não proporcionais). Tem quem defenda que ONGs também são negócios de impacto. Mais recentemente o que anda em pauta são as ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis), propostas pela ONU, que ajudam a entender que “melhorias” o mundo mais precisa.

Tudo isso ajuda, direciona, mas não resolve a questão. O que é um negócio de impacto social?

Esse debate é importante para, primeiro, entendermos o óbvio: TODA EMPRESA gera impacto social. A diferença não está na geração do impacto, mas no QUERER gerar um impacto específico, tendo isso como PRIORIDADE através de sua ATIVIDADE PRINCIPAL (seu produto).

Empreendedores de negócios de impacto social entendem de maneira integral o movimento que sua entrada gera na sociedade, realizando, de maneira estruturada ou não, uma teoria de mudança e uma posterior avaliação de impacto. É preciso entender que não basta analisar o que fazemos, mas também as potenciais consequências das nossas ações. Olhar não só para o final do processo, mas para o processo em si. Empresas como a Mercur estão nos ajudando a entender como inclusive empresas centenárias podem se reinventar e serem negócios de impacto social porque QUEREM ser. Antes tarde do que mais tarde.

Vamos deixar claro: ser um negócio de impacto não é apenas resolver um problema/necessidade socioambiental, mas escolher tratar o “impacto social” como um ponto central e estratégico do negócio, como orientador da tomada de decisão. É preciso avaliar algo prático, que é reflexo de um processo pessoal e interno. E enquanto negócio, buscar enxergar tanto o processo quanto o resultado, e avaliar periodicamente as implicações de sua existência na sociedade como um todo (mais difícil do que só ganhar dinheiro, né?).

Mas sabe do que? O mais incrível é que grande parte d@s empreendedoras(es) de impacto nem se reconhecem como tal. Eu acho isso o máximo! Essas pessoas estão resolvendo os problemas e necessidades que existem por aí, sem previamente se encaixar em algum conceito… Apegue-se às necessidades, não às ideias.

O importante aqui é saber que um(a) empreendedor(a) de impacto social precisa ter um conhecimento, duas habilidades e uma atitude:

  1. C) conhecimento de CAUSA (empatia através da imersão),
  2. H) um alto nível de EXECUÇÃO (fazer fazer fazer),
  3. H) a capacidade de se QUESTIONAR constantemente (avaliar suas decisões e seu impacto),
  4. A) a atitude de nunca perder de vista seu PROPÓSITO (e ressignificá-lo diariamente).

Lembre-se: FEITO > perfeito e POR QUÊ > o quê.

A intuição decide, a mente planeja, as emoções motivam e o corpo faz.

Se você quer criar um negócio ou transformar sua empresa em um negócio de impacto social, tenho uma dica: estruture bem sua teoria de mudança, entenda quais são suas métricas de impacto e vá coletando evidências do trabalho realizado. Ocupe-se então em resolver os problemas e necessidades do seu público, e o impacto ficará evidente.

Se você, assim como eu, ainda não sabe o que é um negócio de impacto social, mas escolhe ser a mudança que (você acha) que o mundo precisa, eu estou aqui para te ajudar! Lembre-se, você não precisa criar a mudança, você é a mudança.

Se esse texto te tocou, incomodou, te fez rir ou chorar, comenta aí! Quem sabe não surge aqui mais uma história?

Juliano Trevizan é sócio e consultor da Semente.

Três características dos inovadores

Como agem as pessoas que transformam a sociedade?

Há cerca de sete anos me dedico a ajudar empreendedores que, além de criarem novas organizações, o fazem com o objetivo de romper com o status quo. Tomei essa como uma missão de vida por observar que esses desobedientes são maltratados. Estou falando de gente com um tipo de rebeldia que tem fundamento e ferramenta, que é usar mecanismos de mercado (a oferta de produtos e serviços) para desencadear transformações sociais.

Essa é uma arte que, a cada 10 que tentam, menos de um, em média, consegue desempenhar. Os outros nove e alguma coisa sofrem duras consequências por falharem. Uma parte importante do meu trabalho é identificar padrões a respeito dos que rompem a barreira da inovação e, de fato, interferem em algum sistema complexo. Trabalhei com gente que balançou velhas estruturas na educação, na agricultura, no sistema financeiro.

E, no fim do dia, há três coisas que essas pessoas têm de diferente de todo mundo.

A primeira é presença. Assim como eu sei exatamente o tipo de gente que quero ajudar, eles também sabem. E estão realmente presentes nas vidas dessas pessoas, fazendo parte do dia a dia, dialogando, entendendo as dores, angústias e recompensas.

A segunda é perspectiva. Inovadores sabem quais são os pontos nevrálgicos nos quais eles querem interferir dentro de um enorme emaranhado de possibilidades. E sabem expressar com clareza o que está errado naquele mundo onde atuam, e porque está errado.

E a terceira é disciplina. Quem inova sabe admitir quando aquela hipótese que acreditara ser uma verdade absoluta se provou errada. Sabe como fazer para checar, no mundo real, cada crença sua. E trabalha duro para fazer essa checagem, com persistência no objetivo maior, mas sem insistir em erros. No meio do caminho, vai conhecendo aliados que se tornam clientes, parceiros, investidores. É assim mesmo que funciona.

Igor Oliveira é sócio-fundador da Semente.

Publicado originalmente no jornal Zero Hora, dia 08 de setembro de 2017.

Semente Negócios: por que existimos?

O empreendedorismo inovador como ferramenta de desenvolvimento

Há pouco mais de 6 anos, a Semente Negócios foi concebida refletindo um desejo genuíno de impactar positivamente o mundo. Desde então o entendimento sobre o cenário desejado e a contribuição da Semente para atingi-lo evoluiu, graças à interação direta com mais de 7.000 empreendedores das 5 regiões do Brasil, de alguns países da América Latina e dos EUA, experimentando, testando, refletindo e aprendendo juntos. Sinto-me privilegiado por fazer parte desta trajetória, que me faz ver na prática e acreditar cada vez mais no empreendedorismo inovador como ferramenta de desenvolvimento.

Mas como atuamos para este desenvolvimento? Na Semente promovemos o desenvolvimento distribuindo capacidade de inovação para pessoas empreendedoras em diferentes redes e localidades, desenvolvendo empreendimentos inovadores, fortalecendo comunidades de práticas e trabalhando com para a emergência de ecossistemas empreendedores, para aumentar a complexidade econômica de territórios, e expandir liberdades e resiliência. Soa mais complicado do que é. Buscarei explicar como todos estes conceitos se encontram nos parágrafos seguintes.

Antes, precisamos entender melhor o contexto do qual estamos inseridos, para isso é necessário definir pobreza de forma ampliada. Uso como referência Amartya Sen, escritor e economista indiano no livro “Desenvolvimento como Liberdade”: “…a pobreza deve ser vista como privação das capacidades básicas em vez de meramente como baixo nível de renda”, ou seja, um problema mais complexo, que exige soluções que vão além de aumento do PIB e distribuição de renda, mas sim um aumento consistente das capacidades básicas (liberdades) das pessoas.

Assim como o crescimento do PIB e programas de redistribuição de renda não são condições suficientes para solucionar problemas econômicos e sociais de um território pobre e desigual, a diversificação de atividades econômicas de baixa complexidade, também não alcançam esse objetivo. Já o mix de produtos, o valor agregado e seu grau de complexidade nos dá uma indicação sobre a habilidade de um território em solucionar problemas em pequena e larga escala (aqui vale a pena conferir o trabalho do Observatório da Complexidade Econômica do MIT. Afirmar que o aumento dessa complexidade econômica (ou seja, a diversificação econômica associada à inovação) pode promover desenvolvimento humano em um território por longos períodos de tempo, faz sentido para mim.

E é aí que entramos. Há trabalhos da Semente em desenvolvimento territorial, aceleração, corporate ventures, mapeamento de ecossistemas empreendedores emergentes, etc. Navegamos no universo da inovação de forma “agnóstica”, ou seja, atendemos startups, negócios de impacto e organizações sociais inovadoras sem um julgamento a priori sobre formato organizacional ou “bandeira”, pois o empreendedorismo inovador está no centro do nosso impacto. Buscamos contribuir para a diversificação econômica gerada pelo empreendedorismo inovador e para a liberdade de autodeterminação individual e coletiva gerada pela ampliação das possibilidades e paradigmas de sucesso dentro de uma determinada realidade.

De forma bastante concreta, desenhamos e executamos programas de desenvolvimento de empreendedores e seus empreendimentos inovadores, em parceria com diferentes organizações (empresas, governo e terceiro setor).

A resolução de problemas reais e relevantes é intrínseca ao ato de empreender. E empreender de forma inovadora significa fazê-lo com mudanças em produtos, serviços, processos e/ou modelos de negócio que resultam em melhores soluções, ou seja, em mais valor para quem tem seus problemas resolvidos. Seja com abundância de investimentos ou por meio da presença, da observação atenta e da impulsão de soluções em comunidades. E é esta inovação que gera impacto, seja através de uma startup de tecnologia ou de um negócio de impacto.

A Semente atua em contextos locais desenvolvendo a comunidade empreendedora, entendida como uma comunidade de prática, ou seja, um grupo de pessoas com um interesse, problema ou paixão em comum e que aprofundam seu conhecimento e expertise através da interação contínua com troca de informações, insights, conselhos, resolução de problemas e diálogo sobre aspirações e necessidades. Antes das instituições, há pessoas cuja visão de mundo, acesso à informação e capacidade as permitem empreender. O fomento de um ecossistema empreendedor emergente deve focar nas pessoas e seu entorno.

Para fechar o ciclo e entender porque vemos nosso impacto na distribuição de capacidade de inovação, mencionarei novamente Amartya Sen, que considera que o processo de alargamento das liberdades de um indivíduo passa pela capacidade de participação em um universo social, econômico e político. Não se trata de uma liberdade em si mesma, mas uma liberdade direcionada a aspectos específicos, capazes de solucionar problemas cotidianos. A distribuição das liberdades é, portanto, uma distribuição de capacidades. Somente há possibilidade de criação de novos paradigmas de sucesso em contextos onde as capacidades de inovação estão distribuídas. E a Semente está aqui para ajudar neste processo, seguindo a linha:

  • Do empreendedorismo inovador como ferramenta de desenvolvimento, em coerência com o conceito de “Desenvolvimento como Liberdade” do Amartya Sen;
  • Do desenvolvimento que depende de maior complexidade econômica, que por sua vez depende do empreendedorismo inovador, que depende da resolução de problemas via comunidades de prática de pessoas empreendedoras em ecossistemas empreendedores emergentes;

Portanto, distribuir capacidades de inovação é a peça-chave na promoção do desenvolvimento, justamente o que fazemos na Semente ao desenhar e executar programas de desenvolvimento de empreendedores e seus empreendimentos inovadores em parceria com outras organizações.

O que acha da nossa proposta? Quer embarcar nesse caminho com a gente? =)

Espero os comentários de vocês para poder evoluir (ou simplesmente desenrolar) esta conversa!

Marcio Jappe é sócio-fundador da Semente.

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