Vejo muitos empreendedores digitais buscando programas de aceleração e mentoria envolvendo investimento de risco e/ou consultoria, e não entendendo muito bem o que seria o perfil mais adequado de negócio para ser aprovado nesses programas. Pois bem, vou falar um pouco aqui sobre os principais critérios de seleção para quem busca esse tipo de processo de desenvolvimento. Principalmente para startups early-stage, ou seja, aquelas que ainda estão em processo de validação de produto. Partimos de três palavras simples: time, mercado e inovação.

Não é o seu caso e você busca por aceleração? Saiba mais sobre o mundo (e o futuro) das aceleradoras nessa série de artigos escrita pelo sócio-fundador da Semente, Bruno Peroni.

Há anos mentoro startups ainda em processo de validação, por isso posso dizer que o time é um dos maiores desafios, apesar de os outros critérios serem igualmente importantes. Nesse primeiro tópico vamos, então, responder a seguinte questão:

Por que o time é tão importante nesse estágio inicial do negócio?

  • TIME

Vamos ao cenário mais comum dos estágios iniciais: você ainda está desenvolvendo e testando um protótipo, quer dizer que você ainda não tem certeza de ter o produto certo para o mercado certo (famoso product-market-fit). Além disso, você não tem muitos clientes (talvez nenhum), não tem colaboradores trabalhando (normalmente apenas os sócios-fundadores) e não tem muitos ativos… Ou seja, nesse momento a avaliação que podemos fazer é que você tem 100% de nada!

Desesperador? Calma!

Por essa perspectiva, quem está avaliando o negócio olha muito mais para o “você” do que para o “100% de nada”, porque a chance de sucesso desse negócio é que o “você” transforme o “100% de nada” em alguma coisa – e sob a perspectiva de uma aceleradora, isso deve acontecer logo.

Em relação ao time, ouço muito o tripé “hustler, hipster e hacker”, que é basicamente um jeito cool de colocar os perfis da equipe de fundadores. É mais simples começarmos pelo Hacker – alguma dúvida de quem pode ser? Se você pensou no cara da tecnologia, obviamente você acertou! O hacker é a pessoa que entende da tecnologia do produto, é o que pega o que foi ou está sendo desenhado e transforma aquilo no produto.

O Hipster é justamente aquele que mais contribui para o desenho do produto, ou melhor, ele identifica junto aos potenciais clientes quais são suas necessidades, enxerga tendências e coloca no papel o produto que deve ser desenvolvido.

Finalmente, mas não menos importante, o Hustler. Essa é a pessoa mais voltada ao mercado, vendas, gestão. É a pessoa que pega tudo aquilo que está sendo criado, e entrega ao mercado.

Resumindo: qualquer startup digital precisará de alguém muito bom para desenvolver a tecnologia, outro que entenda profundamente o mercado e suas tendências, e outro para organizar, comunicar e vender.

Entretanto, os perfis não são tudo… Algumas competências são altamente valorizadas, como o coachability, que nada mais é do que a facilidades que a pessoa tem em ouvir e aprender… em outras palavras, não ser cabeça-dura! Além da capacidade de liderar, da mentalidade inovadora, e ser fazedor e corajoso.

Saiba mais: Três características dos inovadores 

  • MERCADO

Quando falamos de mercado, pensamos principalmente nos concorrentes e no público-alvo. O mercado que você está entrando é um mercado que está crescendo, ele está estável ou está diminuindo?

Startups que estão em mercados com pleno crescimento, aquelas que estão surfando a onda, tem certamente mais vantagens do que outras que estão em mercados estagnados. Porém, é importante atentar para a concorrência dos mercados em crescimento, pois outros empreendedores também têm acesso à informação, e buscam aquilo que é tendência.

Exemplos atuais no Brasil são fintechs, inteligência artificial, soluções para varejo, cybersecurity, e por aí vai. Sucesso têm aqueles que estão em mercados crescentes com o time certo (aqui subentende-se o produto adequado também) e as conexões necessárias.

Entretanto, há alguns mercados que ainda nem apresentam crescimento, ainda não são vistos como tendência, mas possuem uma oportunidade gigante de crescimento. Como os chamados locked markets, caso das lawtehcs aqui no Brasil. O grande desafio desses mercados é que são apostas de maior risco, já que normalmente são mercados ainda mais tradicionais, onde existem poucos players testando inovação.

  • INOVAÇÃO

Pensou que não íamos falar sobre o produto? É claro que o produto que você está desenvolvendo também é importante na avaliação de aceleradoras e processos de mentoria em geral.

Quando penso em produto inovador, normalmente recorro primeiro à relevância do problema que ele busca resolver. Lembrando que qualquer inovação deve resolver um problema real e relevante, senão é apenas criatividade.

Se o produto resolve um problema real, é importante analisar se ele possui uma inovação incremental que efetivamente o diferencia dos demais concorrentes, ou até mesmo uma inovação disruptiva, palavra mal compreendida por muitos negócios.

Chegam à Semente diversas propostas de produtos “inovadores” muito similares a outros já existentes no mercado, possuindo “diferenciais” muito pouco relevantes, como algumas funcionalidades que os usuários na verdade nem precisam… Aí não tem nada de inovador, não é mesmo?

A exploração do problema que se está buscando resolver junto a pessoas que realmente sofrem com o problema, e loops de feedback durante os testes de MVP do produto para identificar oportunidades de melhoria e diferenciação são fundamentais para inovação. E é justamente isso o que o Caminho Empreendedor, metodologia desenvolvida pela Semente, recomenda aos empreendedores.

Conclusão: Startups que ainda estão validando seu produto precisam ter em mente que na hora de buscar um programa de desenvolvimento ou aceleração é preciso ter ao menos a ideia de time-mercado-inovação na cabeça. Aí você vem aqui na Semente e a gente segue o caminho juntos, o que acha? 😉

César Costa é coordenador de programas para Negócios Inovadores e Startups da Semente.

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