Especialistas que defendem o empreendedorismo como um caminho para o desenvolvimento partem de uma premissa questionável: é preciso construir empresas bilionárias que gerarão muito emprego e renda, servindo também de modelo para novos empreendedores que repetirão esse ciclo. É verdade que, em um mundo onde o acesso ao conhecimento e aos meios de produção era extremamente escasso, essa tese fazia sentido. Com a tecnologia digital e a biotecnologia acessíveis, não precisamos mais de níveis gigantescos de escala para ter um papel transformador na sociedade.

Grandes empresas carregam vícios que estão fazendo com que decaiam e morram cada vez mais rápido. Basta olhar a composição do Ibovespa de 20 anos atrás e perceber que são poucas as companhias que seguem ativas. Isso se deve a basicamente à perda da capacidade de manter uma cultura de inovação dentro dessas empresas.

Também se pode culpar a prevalência de relações espúrias entre corporações, inseridas em oligopólios, e governos. O lobby passa a ser o fator de sucesso mais importante para essas corporações, que perdem o foco no seu papel frente a clientes e à sociedade.

Os casos de grandes empresários brasileiros sendo presos por corrupção e a recente doação de patrimônio anunciada por Mark Zuckerberg nos informam que o paradigma de sucesso precisa mudar. Construir uma grande corporação, no século XXI, é realizar o sonho empreendedor do século XX. Vencer na vida agora é manter-se próximo de sua comunidade, melhorando a vida das pessoas por meio do empreendedorismo e da tecnologia.

Publicado originalmente no jornal Zero Hora em 9 de outubro de 2015.