O Projeto Muda é uma iniciativa de sócios da Semente Negócios que, após 5 anos ajudando empreendedores, decidiram recomeçar do zero e reaprender sobre o processo de empreendedorismo na prática. O texto a seguir foi publicado originalmente no Blog do Projeto Muda. Nele, Igor conta sobre os aprendizados com os primeiros testes de vendas e novas percepções sobre players no segmento de supermercados.

“Quando fizemos nossa última postagem sobre o processo de validação de um novo modelo de negócio para o varejo, tínhamos a intenção de começar a botar a mão na massa e ajudar clientes reais.

E foi o que aconteceu! Criamos uma landing page para capturar alguns leads e conseguir entender mais a fundo suas necessidades. Cinco clientes foram capturados, mas apenas um nos permitiu desempenhar o processo todo que queríamos testar: encomenda antecipada dos produtos para ganhar desconto, pagamento online antecipado, entrega e feedback.

Além disso, nesse meio tempo, continuamos conversando com potenciais clientes que não foram fisgados pela landing page. Percebemos um padrão: as pessoas mais interessadas na proposta de valor que estávamos oferecendo são metódicas. Muitas delas já possuem controles de seus estoques domésticos e da recorrência de compra de alguns produtos estocáveis. Elas se somam aos solteiros e casais que consomem poucos alimentos em casa,  às pessoas que têm dificuldade de seguir dietas e àquelas incomodadas com o processo de checkout no supermercado como segmentos de clientes claros que encontramos.

De uma coisa, temos cada vez mais certeza: a experiência de compra dos duráveis/estocáveis (limpeza, higiene, utilidades) é muito diferente daqueles produtos que dão prazer ao comprar: frutas, alimentos de alto valor agregado. Hoje, o supermercado une essas duas coisas diferentes de maneira artificial. São mercados diferentes. Se o varejo já é um jogo de números e eficiência, no caso dos duráveis isso é ainda mais presente, visto que esses produtos costumam apresentar uma margem menor para o varejista. Há, portanto, uma tendência de surgimento de novos players que atendam, de maneira especializada, cada um desses dois mercados.

Conversamos com dois empreendedores que estão inovando no campo dos produtos “prazerosos”. Um online e outro offline. Queríamos entender se existe espaço para colaborarmos, o que foi confirmado. Há potencial para unirmos força em matéria de canais. Visto que há complementaridade (o inimigo em comum é o supermercado tradicional), uma parceria desse tipo poderá ser o caminho para adquirirmos uma base inicial de clientes.

No entanto, esses empreendedores hoje possuem outras prioridades, e apontaram para formas de cooperação ainda mais profundas, no que diz respeito a ajudarmos em suas operações. Percebemos que isto pode ser uma oportunidade de negócio! Ajudar players emergentes do novo varejo a terem operações mais robustas na gestão de custos e fornecedores.

De outro lado, ainda acreditamos que, com uma estrutura de custos menor do que aquela dos supermercados tradicionais e com previsibilidade de demanda gerada pelo mapeamento de hábitos dos consumidores, é possível criar um novo canal de consumo de bens estocáveis. A ideia é aplicar o just-in-time no varejo desses produtos, minimizando estoques. Por isso, criamos um novo MVP. Em um futuro próximo, é possível que os grandes players de bens de consumo sabotem o modelo atual dos supermercados, e prefiram vender a canais mais enxutos que agreguem a logística de entrega aos consumidores.

Nesse momento, estamos em um momento de reflexão acerca do caminho que vamos tomar: tentar criar algo completamente novo ou ajudar players emergentes que merecem nossa atenção.”

Publicado originalmente no Blog do Projeto Muda,  dia 28 de março de 2016.