Em minha última coluna, mencionei a dificuldade que os empreendedores de serviços criativos gaúchos têm de encontrar clientes vanguardistas para seus serviços. Não há, por aqui, muitos novos negócios inovadores. Nem grandes organizações, como corporações, dispostas a se abrirem para o mundo.

Esse comentário gerou uma reflexão sobre a dificuldade encontrada pelos empreendedores inovadores, aqueles que almejam transformar profundamente uma realidade ou um mercado, em iniciar suas trajetórias no estado.

De fato, um dos fatores que freiam a inovação no Rio Grande do Sul é a ausência de clientes, no B2B, dispostos a comprar soluções inovadoras. O empreendedor daqui, se estiver focado no B2B, normalmente precisa vender em São Paulo ou no Exterior. E, acaba, nesse processo, deixando o RS para estar mais próximo de seus clientes.

Esse é um aspecto que costuma ser negligenciado quando se analisa ecossistemas empreendedores. Fala-se muito em capital humano, regulação e acesso a capital (crédito e investimento).

Falta compreender capital social (ou melhor, as redes de pessoas que inovam juntas) e acesso a mercado, que são dois fatores fundamentais. A primeira coisa que um empreendedor inovador precisa é estar conectado com um cliente com alto poder pagador, disposto a desembolsar para resolver um problema de uma maneira completamente nova.

Igor Oliveira é sócio-fundador da Semente.

Publicado originalmente no jornal Zero Hora em 29 de janeiro de 2016