Quem conhece o músico britânico Brian Eno sabe que se trata de um artista que se mantém na vanguarda desde o início da carreira, há quase cinquenta anos. É um daqueles casos notáveis de profissionais que conseguem fazer de sua arte algo transformador, e manter esse espírito durante muito tempo.

Recentemente, Eno deu uma declaração muito interessante em um festival na Austrália. Explicou que fora estudante de artes na universidade e que, desde aquele tempo, desafia o conceito de ‘gênio’. Picasso e Rembrandt, afirmou Eno, estavam imersos em cenas artísticas muito profícuas. A história da arte os trata como gênios, mas, na verdade, são “cênios”. São pessoas que, por interagirem fortemente com outros artistas em um ambiente cocriativo muito fértil, conseguiram ser extremamente impactantes com suas obras.

No empreendedorismo voltado à inovação, essa dinâmica é basicamente a mesma. Interações entre novos artistas (empreendedores), mecenas (financiadores), artistas consagrados (empresários), estudiosos e outros atores são o combustível para o surgimento de grandes transformações por meio de mecanismos de mercado, ou seja, inovações. É o que chamamos de ecossistema de empreendedorismo.

Empreender é uma das artes do século XXI. A música de Eno ajudou muita gente a reformular e dar significado a sua existência. As startups e empresas inovadoras também têm o potencial de alterar profundamente a relação das pessoas com o consumo, com a tecnologia e com a sociedade como um todo.

Igor Oliveira é sócio-fundador da Semente.

Publicado originalmente no jornal Zero Hora em 12 de fevereiro  de 2016