imagem da cidade de tel aviv em israel chamando para conhecer o ecossistema de inovação em empresas
Inovação Corporativa

Três lições da HP para inovação em empresas (parte 1)

Pessoas não fazem viagens.
São as viagens que fazem pessoas.

Recentemente estive em Israel em um dos maiores eventos de inovação em empresas do mundo – o Corporate Innovation Roadtrip Summit – e tive insights valiosos, muitos deles motivados por uma das pessoas mais sábias e inspiradoras que tive o prazer de conhecer em toda a minha vida. Esta pessoa é o israelense Ahi Gvirstman.

Após construir o programa que permitiu a HP criar dez inovações com resultados expressivos em apenas 24 meses e atuar como mentor de dezenas de heads de inovação em vários tipos de organizações, Ahi Gvirtsman identificou padrões na implementação de inovação em empresas estabelecidas e desenvolveu uma série de ferramentas para apoiar a criação de inovação em outras empresas.

Nessa série de post vou compartilhar três dos principais insights que tive.

#01 Não existe um mapa para todas as organizações se tornarem mais inovadoras, porém existe um GPS

Quando se explora inovação em empresas estabelecidas não existe uma fórmula única que sirva para todas as organizações, porém existem direções que todas elas devem percorrer.

No contato que tive com o Ahi em Israel ele me disse que o processo para tornar uma organização estabelecida mais inovadora tem várias similaridades com o período das grandes navegações, que ocorreram entre os séculos XV e XVII.

Uma destas similaridades é que, naquela época, os navegadores tinham várias lendas sobre lugares mágicos perdidos no Atlântico onde todos deviam ir, porém não existiam mapas precisos e nem formas de medir a latitude e a longitude para guiar outros aventureiros. Este fato inviabilizava qualquer viagem.

Traçando um paralelo com o mundo da inovação em empresas estabelecidas, Ahi alerta que esta história é equivalente ao que os executivos estão cansados de ouvir nos dias de hoje:

— “Sua empresa precisa ser mais como a Google ou a Apple”.

Eles escutam histórias incríveis sobre estes lugares com as paredes coloridas, tobogãs e pessoas trabalhando felizes, porém nenhuma direção da efetividade ou recomendação é dada.

Os executivos precisam ter clareza das coordenadas de onde almejam chegar e dispor de parâmetros que indiquem se eles estão na direção correta, algo similar a latitude e longitude para a navegação.

Segundo o Former VP de Inovação da HP os três parâmetros que indicam se a empresa está no caminho certo, servindo como GPS e que devem ser monitorados simultaneamente são:

GO-AHEAD: que simboliza o quanto a empresa está comprometida com a inovação em termos de alocação de recursos e desenvolvimento de competências. De forma resumida, é o quanto ela está investindo para ir em frente.

Os pontos centrais do Go-Ahead são: cultura empreendedora; desenvolvimento de competências, remoção de impedimentos e alocação de recursos.

PURPOSE: a partir do engajamento dos executivos, este parâmetro indica qual é o sonho grande da empresa, ou seja, quais são os resultados tangíveis que a organização almeja conquistar.

Chamo atenção para o fato de que a empresa não é composta somente pelos sócios e executivos, mas também por uma maioria de colaborares. Por este motivo o propósito deve ser motivador e engajador para todas as pessoas envolvidas no processo de inovação.

Os pontos centrais do Purpose são: Engajamento dos executivos e tomadores de decisões; resultados tangíveis que se buscam e os critérios de sucesso do processo.

SCALE: representa a efetividade dos processos e ferramentas utilizados para se construir uma empresa inovadora com resultados expressivos. No entanto, não basta somente ter meios disponíveis se não existe um ecossistema que suporte e permita o desenvolvimento dos projetos de inovação.

É importante observar se o processo é autônomo e escalável ou se é dependente de uma ou algumas poucas pessoas para fluir.

Os pontos centrais do Scale são: domínio das ferramentas para execução das atividades de inovação, processo claro e constante para o amadurecimento dos projetos de inovação e o desenvolvimento de um ecossistema de suporte.

Na minha leitura, Purpose é equivalente aonde se quer chegar, Go-Ahead aos recursos disponíveis e o Scale o caminho que irá tomar.

Em sua palestra, Ahi apresentou o seguinte gráfico, que desenvolveu com a Duco, uma das principais consultorias de inovação israelense.

CAMINHOS PARA A ESCALAR A INOVAÇÃO EM EMPRESAS

inovação corporativa semente
  • Baixo Purpose e baixo Go-Ahead: “O Teatro da Inovação”. Nessa ficção as empresa finge que está disposta a inovar e os funcionário fingem que querem criar algo realmente relevante.
  • Alto Purpose e baixo Go-Ahead: “Cabeças nas nuvens”. A intenção é boa, porém por falta de recursos e apoio nada acontece. As pessoas que tentam ser inovadoras acabam sendo reconhecidas como idealistas e pouco realizadores.
  • Baixo Purpose e alto Go-Ahead: “Muito barulho e nenhum resultado”. Esta é uma situação que tem prazo de validade curto. A empresa investe em várias ações nenhuma estratégia e o resultado é nenhum resultado.  
  • Médio Purpose e mediano Go-Ahead: “A banda de um homem só”. Este caso é comum em empresas onde existe uma ou algumas poucas pessoas que levantam a bandeira e possuem o conhecimento para a inovação.
  • Alto Purpose e alto Go-Ahead: “Ecossistema em escala”. Esta é a situação ideal, onde existe uma clareza de onde se deseja chegar, o time está engajado e possuem os recursos suficientes para desenvolver seus projetos inovadores.

Em qual quadrante a sua organização está posicionada?

O tipo que mais encontro é a “Teatro de Inovação”.

Os “teatros” são muitas vezes criados em empresas onde os gestores de inovação investem em ações pontuais na esperança de se ter um resultado de curto prazo.

Os espetáculos mais comuns nesses palcos são palestras inspiradoras e desafios de ideias (Hackathons). Obviamente o único resultado dessa abordagem são algumas palmas e o sentimento de que no dia seguinte era tudo uma ficção.

Retomando a ideia das Grande Navegações, sabemos que com o passar dos anos instrumentos como o astrolábio, quadrante e os sistemas de geo-posicionamento por satélites surgiram para tornar a navegação mais segura e precisa.

O mesmo está acontecendo com a implantação de inovação em empresas estabelecidas, como é o caso do Corporate Innovation Canvas e o Innovation Pipeline.

Para tornar a sua jornada mais segura e precisa, em parceira com o Ahi Gvirstsman, a Duco e todo o time de comunicação da Semente, escrevi a versão em português do framework que foi o ponto de partida do programa fez a HP criar dez inovações com resultados expressivos em apenas 24 meses.

Inovação corporativa - innovation pipeline

Boa leitura e logo volto com a segunda das três lições que tive com o Former VP e Head Global de Inovação da HP.

One Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

);