equipe de trabalho em fase de ideação
Inovação

Pipeline de Inovação

Muito se fala por aí (e por aqui) sobre como o mundo está se transformando com ciclos cada vez rápidos e frequentes. Em como as empresas precisam inovar para continuar competitivas em meio a esse contexto. Como a transformação digital e a necessidade de se trabalhar com maior utilização de dados está batendo na porta das corporações…

E com essa necessidade latente de inovar, empresas de todos os portes estão encarando esse desafio com sua devida importância. Entretanto, muito há de ser aprendido pelas organizações sobre como construir um processo de inovação que de fato resulte em inovação (gere valor no mercado) e perpetue a longo prazo.

Você já deve ter visto, ouvido ou passado por empresas que, na ansiedade de começar a inovar e aumentar sua competitividade no mercado o mais rápido possível, desenvolveu seu próprio processo de inovação: promoveu uma série de workshops, imersões e hackatons para transformar o mindset dos seus colaboradores em um verdadeiro oceano de ideias criativas. E depois comunicou a estes colaboradores que sempre quando houverem novas ideias, os executivos da empresa estarão dispostos a analisá-las e, se fizerem sentido, alocarão budget e equipe para os projetos irem adiante.

Será que isso dá certo?

Até pode ser que esse processo em algumas empresas tenha de fato resultado em algumas ideias que se transformaram em inovações fantásticas. Mas, para que isso tenha acontecido certamente houve um nível de serendipidade contextual que dificilmente aconteça com frequência.

Talvez o colaborador que teve a ideia seja altamente empreendedor, talvez a equipe tenha sido a equipe certa para aquele projeto, talvez as lideranças tenham conseguido acertar na mosca qual projeto deveria ir adiante, talvez o orçamento disponível para o projeto foi na medida exata, talvez, talvez, talvez…

Por mais competente e capaz que seja a empresa, imagina ter que contar com tantos “talvez” para conseguir inovar de novo, e de novo, e de novo? Essa maneira de inovar até pode dar certo pontualmente, mas tende a ser mal-sucedida no longo prazo.

A inovação dentro de empresas deve ser sistemática e perpetuar-se no longo prazo, porque já se sabe que o produto inovador que gera margens extraordinárias hoje já estará obsoleto logo ali na frente.

Ecossistemas de inovação corporativos devem ser estruturados e estimulados a fim de que as oportunidades de novos projetos tenham o suporte necessário para de fato se concretizarem em novos produtos e serviços, e que as inovações não sejam pontuais e não dependam quase que exclusivamente de serendipidade.

Para que corporações consigam criar seus ambientes de inovação sustentáveis no longo prazo, é necessário desenvolver um pipeline de inovação.

O pipeline de inovação é o processo pelo qual as ideias geradas percorrem nas empresas para gerenciar de forma mais eficiente os riscos e incertezas inerentes à inovação através de validações com base em experimentos.

Com esse intuito, devem estar contemplados no pipeline de inovação os seguintes aspectos:

    • Critérios para seleção dos projetos (desdobramento de uma tese de inovação);
    • Etapas pelas quais os projetos selecionados percorrerão;
    • Marcos que estabelecem critério de passagem de uma etapa para a próxima;
    • Disponibilidade de budget gradual atrelado aos marcos;
    • Atividades que devem ser executadas dentro de cada etapa para validar hipóteses inerentes à respectiva etapa;
    • As entregas que devem ser feitas em cada etapa;
  • Perspectiva de tempo para cada etapa.

Na estruturação da pipeline de inovação, é fundamental que sejam aplicados alguns princípios que facilitarão o planejamento e a execução da pipeline. Além disso, é necessário haver formalização de como serão formadas as equipes/squads para desenvolver os projetos ao longo do processo, haver treinamentos sobre lean startup, métodos ágeis, customer development e outras metodologias que trabalhem com validações e aprendizagem ao redor de experimentação.

Por fim, é recomendado que as empresas não deixem constantemente aberta a janela para investimento em ideias, mas que se façam programas de inovação periódicos, uma vez que deixa esse processo mais organizado (imagina colaboradores deixando suas responsabilidades diariamente para tentar criar novos projetos), volumoso em número de ideias (submissão de ideias em períodos específicos acarreta em maior volume de ideias que poderão ser analisadas em conjunto), e engaja mais a participação de colaboradores nos projetos de inovação.

Quer entender como uma grande empresa aplicou o Pipeline da Inovação? Traremos para o Brasil,  Ahi Gvirtsman, que enquanto Head e VP de Inovação Global da HP Software, formulou e implementou a metodologia de inovação da corporação. O curso será em São Paulo, de 2 a 5 de abril de 2019. Saiba mais por aqui!

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