Coluna do Igor Oliveira no Jornal Zero Hora,  Opinião

Revolução iminente no capital de risco

Empreendedores de caráter fortemente inovador enfrentam hoje muita dificuldade para captar investimentos no Brasil.Em um primeiro momento, podem buscar investidores-anjo que frequentemente ficam com uma participação muito grande no negócio, de forma a inviabilizar as próximas rodadas de investimento. Não podemos culpar unicamente os anjos por isso, visto que o dinheiro no Brasil é, de fato, caro.

Vencida uma etapa inicial de validação do modelo de negócio em um determinado mercado, chega a hora de realizar uma rodada mais robusta, para bancar um plano de expansão claro e ousado. Nesse momento, o empreendedor precisa recorrer a um fundo de capital semente ou venture capital.

Cabe aqui um parêntese sobre o fato de esses fundos serem fortemente subsidiados pelo Estado, por meio de bancos de desenvolvimento e outras agências governamentais. Ou seja, se trata, em grande medida, de dinheiro público. E isso não é exatamente errado. As nações mais inovadoras do planeta passaram ou estão passando pela mesma situação.

Há, no entanto, uma alternativa que vêm ganhando espaço nesse cenário: o investimento colaborativo, também conhecido como equity crowdfunding. Plataformas online que reúnem investidores que se tornam – juntos – sócios de negócios inovadores. No Brasil, temos os sites Broota e EqSeed, além da plataforma Urbe.me, especializada em empreendimentos imobiliários.

Essas plataformas têm feito um trabalho incrível, que possibilita, inclusive, a descentralização do investimento de risco no território brasileiro e a realização de investimentos de baixo ticket, que não têm no retorno financeiro o único critério de decisão. Frequentemente, as pessoas que investem estão em busca de valores mais subjetivos, como o impacto social dos negócios investidos.

A expansão dessa modalidade de investimento é apenas uma das mudanças que veremos acontecer nos próximos anos. Com o florescimento das criptomoedas e de tecnologias como a blockchain, o setor financeiro como um todo deve sofrer transformações profundas, e nos investimentos de risco isso não será diferente. Nesse momento de aperto do ganho real dos investimentos atrelados à SELIC, faz sentido começar a olhar para esse tema. Acredito que eu não seja o único a estar perdendo gradualmente a vontade de investir em títulos públicos.

Igor Oliveira é sócio-fundador da Semente.

Publicado originalmente no jornal Zero Hora em 3 de junho de 2016

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