Segue abaixo entrevista com o sócio da Semente Bruno Peroni publicada pelo portal Startse em 10 de agosto:

O mercado de startups vai bem, mesmo com os últimos meses turbulentos que o Brasil. Mas podia estar melhor, claro, se não fosse a confusão política e econômica que temos vividos nos últimos anos.

Mas até isso é provável que melhore nos próximos meses, trazendo melhorias significativas para o mercado de startups – embalado em nova confiança por causa do novo governo, que vem fazendo mudanças significativas na economia. “Com a melhora do sentimento geral do mercado devido aos movimentos do novo governo, possivelmente haverá uma melhora”, fala Bruno Peroni, co-fundador da Semente Negócios.

Contudo, não é que isso realmente fosse salvar um setor que, em vários sentidos, não precisa ser salvo – já vinha em uma crescente, afinal startups são diferentes. “Mas as startups se movem de um jeito diferente. O seu desempenho é afetado pela crise mas não tanto”, afirma Peroni.

Isso pode ser explicado pela natureza inovadora desse tipo de empresa – que, inclusive, ganha um empurrão pela crise. “Como criam produtos inovadores, que geram economias ou ganhos substanciais, muito superiores às soluções existentes, as startups continuam crescendo muito forte mesmo na crise, pois o mercado está buscando diferenciais e redução de custos”, destaca.

Isso, contudo, não quer dizer que o mercado não é impactado – a crise macroeconômica atinge e precisa ser contida. “Com certeza a crise atrapalha o investimento em novos negócios Juros altos, incertezas políticas e o alto risco associado ao investimento em startups certamente vão afastar investidores, em especial investidores-anjo não profissionais, que provavelmente vão buscar opções de menor risco”, acredita o investidor.

Quem entende o mercado de startup, porém, continuou no mercado como se nada estivesse acontecendo e são os responsáveis pela manutenção do bom momento, enquanto novos investidores, possivelmente, se concentram em investimentos de menor risco. “Investidores profissionais, como fundos de venture capital e aceleradoras, possuem seus mandatos e prazos rodando e precisam encontrar empreendedores de alto potencial mesmo na crise”, afirma.

As questões que envolvem o mercado de startups vão bem, mas não quer dizer que o governo atual seja o melhor exemplo do que é possível fazer. “O governo Temer, no campo da economia, tem tomado e anunciado medidas para endireitar as contas do país para tranquilizar o mercado e isso é muito positivo. Mas em outro campos, o governo tem feito vários tropeços e o que parecia novo ficou claro que ainda está ligado à velha política”, salienta.

Falta por exemplo, que o governo seja mais enfático em falar sobre medidas públicas que ajudem o empreendedor. “Ainda não vimos também um posicionamento do novo governo em relação a políticas públicas de empreendedorismo e inovação, como movimentos de desburocratização, importantes para facilitar a vida dos empreendedores brasileiros”, diz.

Para Peroni, é importante que o empreendedor ou investidor saia da caixa na hora de criar sua empresa ou investir, para não acabar produzindo mais do mesmo. “Nada é óbvio no mundo de investimento em startups, mas uma dica seria olhar para setores que ainda recebem pouca atenção de inovadores, como o setor de seguros e agronegócios, por exemplo, ao invés de seguir a manada e investir no mais do mesmo, como aplicativos de entrega e marketplaces de serviços”, afirma.

Contudo, ele destaca que um setor que está decolando é o de startups que mexem com serviços financeiros – que concentram algumas das startups mais famosas do Brasil. “Outro setor que está ganhando muita força no Brasil é o de fintech, já com cases robustos como NuBank, GuiaBolso, entre outros”, salienta.

Ele ressalta que a regulação do equity crowdfunding tem que ser feita de modo que não complique desnecessariamente o setor. “A regulação deve sempre ser mínima, pois é muito fácil acabar engessando e atrapalhando o mercado. Ao mesmo tempo, a regulação certa pode trazer segurança a investidores e aumentar o mercado, que me parece ser o caminho que irá acontecer com o investimento anjo”, diz.

Os efeitos da regulação podem ser bastante positivas, segundo Peroni. “Para o mercado de equity crowdfunding, que acredito muito, seria bastante importante. Isso viabilizaria qualquer pessoa poder investir a partir de R$1 mil em inovação online, demoratizando o acesso a capital, importante para empreendedores fora dos grandes centros”, acredita.

No fim, o que vai manter o desempenho positivo do mercado de startups brasileiro são as qualidades do setor juntas com uma melhora do sentimento do mercado frente da questão macroeconômica. “Manutenção da política econômica focada em resolver os problemas fiscais para melhorar o sentimento do mercado. Além disso, é importante seguir inovando porque mesmo na crise. Assim, o mercado não para”, completa.

Publicado originalmente em: http://startse.infomoney.com.br/portal/2016/08/10/21574/novo-governo-melhora-situacao-mas-startups-se-movem-de-um-jeito-diferente/