Como agem as pessoas que transformam a sociedade?

Há cerca de sete anos me dedico a ajudar empreendedores que, além de criarem novas organizações, o fazem com o objetivo de romper com o status quo. Tomei essa como uma missão de vida por observar que esses desobedientes são maltratados. Estou falando de gente com um tipo de rebeldia que tem fundamento e ferramenta, que é usar mecanismos de mercado (a oferta de produtos e serviços) para desencadear transformações sociais.

Essa é uma arte que, a cada 10 que tentam, menos de um, em média, consegue desempenhar. Os outros nove e alguma coisa sofrem duras consequências por falharem. Uma parte importante do meu trabalho é identificar padrões a respeito dos que rompem a barreira da inovação e, de fato, interferem em algum sistema complexo. Trabalhei com gente que balançou velhas estruturas na educação, na agricultura, no sistema financeiro.

E, no fim do dia, há três coisas que essas pessoas têm de diferente de todo mundo.

A primeira é presença. Assim como eu sei exatamente o tipo de gente que quero ajudar, eles também sabem. E estão realmente presentes nas vidas dessas pessoas, fazendo parte do dia a dia, dialogando, entendendo as dores, angústias e recompensas.

A segunda é perspectiva. Inovadores sabem quais são os pontos nevrálgicos nos quais eles querem interferir dentro de um enorme emaranhado de possibilidades. E sabem expressar com clareza o que está errado naquele mundo onde atuam, e porque está errado.

E a terceira é disciplina. Quem inova sabe admitir quando aquela hipótese que acreditara ser uma verdade absoluta se provou errada. Sabe como fazer para checar, no mundo real, cada crença sua. E trabalha duro para fazer essa checagem, com persistência no objetivo maior, mas sem insistir em erros. No meio do caminho, vai conhecendo aliados que se tornam clientes, parceiros, investidores. É assim mesmo que funciona.

Igor Oliveira é sócio-fundador da Semente.

Publicado originalmente no jornal Zero Hora, dia 08 de setembro de 2017.